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Archive for junho \29\UTC 2009

Retratos da Luz - Foto ©2009 Mateus Sá

Retratos da Luz - Foto ©2009 Mateus Sá

A organização do “Festival Internacional de Fotografia Paraty em Foco 2009” está em plena ebulição, com perspectivas muito sólidas, indicando que esta será a edição mais rica e plural das quatro já realizadas; uma das principais características da versão 2009 do festival é preocupação com a descentralização da fotografia brasileira, riquíssima mas vastamente desconhecida pela maioria.
Alguns estados (Rio Grande do Sul, Rio, São Paulo e Bahia), que já concentraram as atenções de expositores e publicadores, agora tem por companhia a fotografia de alta qualidade que chega, fazendo barulho, de outros estados. Galeristas e a mídia especializada começam a perceber a importância da fotografia feita em localidades como Pará, Ceará, Paraná e Minas Gerais, entre outras.
Mas o movimento mais substancial tem sido o de Pernambuco. Efervescência de talentos, jovens ou já consagrados, o fotógrafo pernambucano faz da união sua maior força, e em bloco determinam caminhos contundentes e importantes para a fotografia brasileira. Onde mais 23 fotógrafas se uniriam para fazer algo como o grupo Vixemarias, primeiro projeto pernambucano formado apenas por mulheres para discutir a arte fotográfica?
Isso em 2004!
Por isso o Paraty em Foco deste ano terá uma “Noite Especial da Fotografia Pernambucana”, contando com a presença de Eduardo Queiroga, Alexandre Belém, Pio Figueiroa e Rodrigo Braga; durante toda a semana, a presença da Arte Plural Galeria como  convidada, expondo fotógrafos pernambucanos; Alexandre Belém, do “Olha, vê” entrevistando ao lado de Eder Chiodetto os fotógrafos Alexandre Sequeira (PA) e Rodrigo Braga (PE), que vão falar de “fotografia e auto-representação”; Cia de Foto (que tem o pernambucano Pio Figueroa como um de seus integrantes) participando tanto como entrevistados, como animando as baladas noturnas de Paraty.
Pernambuco para tudo que é lado!

Inframargem - ©2009 Gustavo Bettini

©2009 Gustavo Bettini

Eu, particularmente, tenho uma ligação cada vez mais forte com Recife; seja através da sempre gentil acolhida de Fernando Neves e Luciana, da Arte Plural, para participar de workshops, debates e conversas fotográficas, seja através da regional da Fototech, tenho conhecido e me encantado com o material produzido pelos fotógrafos locais. Alguns se tornaram meus amigos, como Gustavo Bettini, Alexandre Belém e Fernando Neves; outros eu passei a admirar, como Roberta Guimarães (professora de fotografia da AESO e fundadora da agência Imago), e Georgia Quintas (Doutora em Antropologia pela Universidade de Salamanca e autora do excelente livro “Man Ray e a Imagem da mulher”).

"Man Ray e a Imagem da mulher", livro de Georgia Quintas

"Man Ray", de Georgia Quintas

Correndo o gravíssimo risco de deixar de lado nomes importantes, por puro desconhecimento de minha parte, atesto que os recentes trabalhos que tenho visto e que me impressionaram bastante são:

Claro que com a distância, é mais fácil acompanhar o que acontece por lá através dos blogs fotográficos pernambucanos, que são vários e excelentes; destaco aqui o já famoso “Olha, vê”, do Belém; o “AF de AutoFoco” do Afonso Jr; o “Fotograficaminhamente”, da Luciana Cavalcanti; o “A imagem de fora e de dentro”, de Georgia Quintas; e, claro o Cia de Foto, que apesar de não ser totalmente pernambucano, é imperdível.

E por falar em blogs, divulgo em primeira mão a boa notícia; durante o Paraty em Foco, haverá o 1º Encontro da Blogosfera Fotográfica, projeto inovador que;  “Será diverso e colaborativo, um lugar para apreciar belas imagens e deleitar-se com pensamentos das mais diversas cabeças. Um blog refratário da blogosfera fotográfica que o país tem atualmente.” O blog vai para o ar definitivamente durante esta semana.
Gostou?
Então não deixe de ver o Flickr do Paraty, com fotos dos participantes e alguns convidados, pois já está bombando!

UPDATE: Pra quem está questionando a escolha das imagens, me parece óbvio: o nascimento de uma nova fotografia contemporânea.
UPDATE: Pra quem quer ler uma resenha completa do Juan Esteves sobre o livro da Georgia, basta clicar aqui !

Foto: Cia de Foto

Foto: Cia de Foto

Para encerrar, o Alexandre Belém me envia este pequeno texto-depoimento, que reproduzo abaixo:
“Sem dúvida, Alcir Lacerda (o Seu Alcir) é o nosso mais importante fotógrafo ainda em atividade. Grande fotógrafo, Seu Alcir é referência. Fez fotojornalismo, fotos da sociedade, casamento e publicidade. Tem paisagens maravilhosas e seus preto e branco são belos. De forma direta ou indireta, Seu Alcir teve participação efetiva na formação de uma geração, na qual me incluo. Desde 1957, mantém o laboratório ACÊ Filmes. Frequentei, quase que diariamente, a ACÊ quando ainda não tinha o meu laboratório. Diariamente, levava o filme, buscava o contato e voltava para copiar.
A Fotografia Pernambucana, nos últimos quarenta anos, esteve muito ligada ao fotojornalismo e às redações dos jornais. Analisando uma linha histórica, a maioria dos fotógrafos pernambucanos já passou ou tem alguma ligação com as redações.
No começo dos 90, surgiu a Imago Fotografia. Começava o conceito de agência fotográfica no Estado. A Imago era formada por Breno Laprovítera, Fred Jordão, Daniel Berinson, Jarbas Júnior e Roberta Guimarães. Todos passaram pelo Jornal do Commercio. Em 1995, surge a Lumiar Fotografia que era formada pelos fotógrafos Leo Caldas, Geyson Magno, Eduardo Queiroga e eu. A Lumiar foi um marco na fotografia pernambucana ao conseguir que os veículos de comunicação do sudeste “confiassem” no profissional do nordeste. A Lumiar passa então a atender a demanda de pautas editoriais (vinda de fora) no estado e no nordeste.
Hoje, passados vinte anos, boa parte dos fotógrafos ainda passam e se formam nas redações. Uma geração maravilhosa.
Vou citar nomes, sabendo que esquecerei de vários, me perdoem: Beto Figueiroa, Mateus Sá, Gustavo Bettini, Alcione Ferreira, Marcos Michael, Rodrigo Lôbo, Chico Porto, Barbara Wagner, Helder Tavares, Arnaldo Carvalho, Alexandre Severo, etc, etc. Alguns, já radicados em outros estados, como Pio Figueiroa, Gilvan Barreto, Heudes Régis (potiguar de nascimento) e Ricardo Labastier.
Paralelamente, temos autores que trabalham com a fotografia com maestria, como Rodrigo Braga e Bruno Vilela. E uma geração que considero que irá brilhar nos próximos anos (na realidade, já estão se destacando). É o caso de Priscilla Buhr, Fernanda Mafra, Bernardo Dantas e Claudia Jacobovitz.”

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Paris - ©2009 Cláudio Edinger

Paris - ©2009 Cláudio Edinger

O site do 5º Festival Internacional de Fotografia Paraty em Foco já está com programação no ar, e o que é mais bacana, Flickr, YouTube e Blog vão disseminar tudo de bom que rola sobre o Festival (e no Festival, com transmissões em tempo real).
O Flickr já está rolando, com pequenos ensaios fotográficos de participantes e convidados; Cia de Foto, Garapa, Alexandre Belém, Eduardo Muylaert, Loretta Lux, Claudio Edinger, entre muitos outros do mesmo quilate, já tem as fotos disponíveis.
Para ver a programação do festival, clique aqui!
Para ver as fotos no Flickr, clique aqui!

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Podcast 09 - Catálogos no Lightroom 2.

Podcast 09 - Catálogos no Lightroom 2.

Assistir o Episódio 09 online – Gerenciando Catálogos
Para que o Lightroom trabalhe mais leve e seja mais rápido, uma boa estratégia de catálogos é fundamental.
Vamos ver como criar, gerenciar, exportar, importar e sincronizar catálogos no Lightroom 2!
Este episódio pode ser visto online ou baixado para seu computador ou celular.
RSS direto para subscrição (iTunes, iPhone, iPod, browsers, mail)
Para ver todos os episódios do podcast, clique aqui!

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Jessica's Portrait  ©2008 Clicio Barroso

Jessica's Portrait ©2008 Clicio Barroso

donatella

Donatella Versace

Muito estranho o país em que hoje vivemos.
País que traz importada da América a cultura da juventude eterna, com todos os seus distorcidos corolários, porém sem os bons vícios. Que preza o obsessivo culto ao corpo, o fotoxópi físico, insaciável por liftings, botoxes, lipoaspirações e cirurgias plásticas tão desnecessárias quanto perigosas, que produzem fenômenos grotescos como Michael Jackson ou Donatella Versace (ver imagem ao lado), mas que ignoram o que realmente interessa. Arte, cultura, conteúdo.
E o que isso tem a ver com fotografia e fotógrafos?
Tudo.
A forma com que a maioria de nossos grandes artistas são ignorados, destratados, ridicularizados e, por fim, financeiramente levados à penúria é cruel para dizer o mínimo; o fato é que sem o respeito do mercado contemporâneo, e daqueles jovens que para com os mestres deveriam ter uma consideração especial (já que daquela fonte bebem, e muito), os grandes se tornam cada vez mais pequenos, até que desaparecem por completo.
E por fim morrem.
É a partir deste momento que a ironia se impõe, pois os que até ontem estavam esquecidos, subitamente se tornam grandes novamente. Homenagens póstumas acontecem de todos os lados, os preços das obras esquecidas num canto por falta de compradores repentinamente  sobem às nuvens, textos, imagens, matérias, livros são produzidos as pressas, e o “nosso” fantástico artista vive enfim seu resgate de glória.
Inútil, posto que dela já não pode aproveitar nada…

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Exhausted Eloíne. ©2009 Clicio Barroso - Sony Alpha900 with Zeiss 85mm

Exhausted Eloíne. ©2009 Clicio Barroso - Sony Alpha 900 with Zeiss 85mm f:1.4

Testando a nova objetiva 85mm f:1.4 Zeiss Planar, da Sony Alpha, e prosseguindo com minha alucinada série de retratos das mazelas femininas, fotografei a Eloíne já bem derrubada, depois de uma exaustiva sessão de dia inteiro com 25 alunos da Pós-graduação de Fotografia da UEL, onde dou aulas há dez anos.
As imagens resultantes das capturas com esta objetiva, conforme o esperado, são espetaculares. Definição ímpar, recorte preciso, luminosidade perfeita, uma verdadeira Planar de longa estirpe e linhagem nobre. Vale cada centavo do que custa, e é a lente ideal para este trabalho que venho fazendo. Pesada, cristal de primeira linha, toda de metal (inclusive o parassol), boca de 72mm, uma sensação excitante e curiosa de estar segurando uma obra prima da tecnologia óptica.
Gostei, e muito.
A foto em tamanho grande, que vale a pena ser vista, não sofreu nenhum tipo de alteração ou corte, nenhum tipo de limpeza, nenhum tratamento digital, apenas o processamento do Raw no Lightroom, e pode ser acessada clicando-se na versão reduzida acima, ou clicando-se aqui.
Para ver o site da Sony, clique aqui.
Qualquer comentário ou dúvida sobre este trabalho em andamento, ou sobre o equipamento usado, será respondido aqui abaixo.

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Love Transfers, 1996. ©2009 Clicio Barroso

Love Transfers, 1996. ©2009 Clicio Barroso

Depois de 50 comentários, 30 twits, e muita discussão boa, vou emitir minha opinião pessoal sobre a existência ou não do talento inato.
Mas antes disso, vamos a pergunta original, que estava aqui:
Talento não existe. Não?

“Talento não existe. O que conta é cultura, treinamento e esforço.”

A maioria esmagadora das mulheres disse que talento inato existe, algumas sem justificativa científica, outras justificando parcialmente. Foram usadas palavras como desejo, dom, vocação, inclinação, predisposição. Muitos homens ficaram com a mesma opinião das mulheres; o resto ficou dividido entre simplesmente não acreditar em talento inato, não poder acreditar já que este não pode ser comprovado, ou acreditar parcialmente.
Foi riquíssima a variedade de comentários, e aprendemos bastante com todos eles.  Agradeço a todos (e foram muitos!) que generosamente contribuiram aqui mesmo, ou no Twitter e Facebook.
Uma das conclusões a que cheguei foi que a maioria dos fotógrafos bem-sucedidos acredita em algum tipo de talento, vocação, inclinação que os levou a ter sucesso; a maioria dos fotógrafos diletantes ou curiosos não acredita em talento, mas sim em força de vontade e estudo.
Eu me coloco, imbuído de sabedoria oriental, no “caminho do meio”. Por razões geográficas, genéticas, culturais e sociais (incluindo incentivos afetivos e direcionados), o que chamamos de talento pode surgir bastante cedo. Uma inclinação para determinada atividade, porém, não vai longe sem oportunidade nem estímulo, e estes podem ser de qualquer tipo, incluindo o instinto de sobrevivência. Em seguida vem a vontade, o esforço pessoal, a dedicação; e por fim, o estudo profundo daquela atividade, mesmo que isso signifique a repetição quase infinita dos gestos, movimentos, atitudes ou palavras.
O talento é uma soma de todos estes requisitos, sintetizado e aplicado a pessoas.
Mas claro, esta é apenas mais uma opinião, humilde e imprecisa como todas as outras!

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