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Equilíbrio  |  ©2006 Clicio Barroso

Equilíbrio | ©2006 Clicio Barroso

“O pêndulo e a imagem”, é um artigo originalmente publicado na Ed. n# 27 da revista Photo Magazine, sobre o uso exagerado do Photoshop.

Já há muito tempo se tem falado e discutido sobre o uso abusivo e exagerado do tratamento de imagens, suas consequências para a fotografia contemporânea, e seu óbvio distanciamento da realidade da captura. O assunto é polêmico e merece uma reflexão mais apurada, sem levar em consideração apenas a diversão e comicidade dos absurdos postados em sites como o Photoshopdisasters, mas também discutindo a necessidade e as consequências éticas de se transformar radicalmente as fotos, sejam elas comerciais ou autorais.
O estranho é que o principal aplicativo para se processar fotografias acabou se tornando um verbo; “Vou photoshopar aquela, esta ainda não está photoshopada…” dizem os que dele se utilizam, mas a verdade é que o programa sozinho não faz nada, nem é capaz de modificar ou alterar realidade alguma. O problema está certamente com o operador, com o cliente e com quem consome estas imagens.
O que deveria ser apenas uma excelente ferramenta de ajustes tonais, cromáticos e de pequenos retoques, acabou se tornando, nas mãos de usuários inábeis, em vilã da modernidade. O Photoshop é certamente poderosíssimo, e possui mais de 5 mil comandos e menus, permitindo desde o processamento básico e necessário da imagem Raw (através do plugin Adobe Camera Raw), até fusões complexas envolvendo módulos de 3D e vídeo. Isso possibilita, caso assim se deseje, um completo distanciamento visual da imagem daquilo que pode-se considerar como a sua origem, que é a captura digital ou a digitalização de filmes. Muitas vezes este distanciamento é intencional, mas pode ser meramente acidental.
Este poder quase ilimitado de manipulação tem sido usado comercialmente pela publicidade, pelas editoras de revistas e pelo jornalismo, provocando uma mudança profunda no modo de se olhar fotografias, alterando nossa percepção visual e fazendo com que a imagem que era perfeitamente aceitável há dez anos em termos de qualidade, seja agora considerada “tosca”, mal acabada. Quanto mais jovem é o observador, mais este fenômeno se torna evidente, e exemplifico: Tenho duas filhas que praticamente nasceram com o mouse nas mãos, uma de doze e outra de quinze anos. Ambas cresceram vendo-me trabalhar com tratamento de imagens, e comprovando os resultados antes-depois, o que as permitiu desde cedo desenvolver um senso crítico em relação às fotos que observam nas revistas e nos anúncios de publicidade; pois bem, fotos que não sofreram nenhum tipo de tratamento além dos estritamente necessários (ajustes de contraste, balanço de brancos e cores) são por elas consideradas “não-acabadas”, e imediatamente chamam sua atenção. O difícil é explicar que aquilo que estão vendo é muito mais próximo da realidade da captura do que um excesso de manipulação, pois o seu modo de ver imagens já está contaminado, viciado na pós-produção digital.
O pior, porém, é o fato de percebermos a decadência progressiva da qualidade destes tratamentos; o ofício que já foi domínio absoluto de especialistas e fotógrafos, passou a ser disponível a todo e qualquer indivíduo que possua um computador e um aplicativo gráfico instalado, fazendo com que aberrações de todas espécies fossem aceitas, publicadas e muitas vezes elogiadas.
No caso de fotos de pessoas, é praticamente obrigatório o uso exagerado das ferramentas de suavização de peles, ou de ajustes estruturais tais como afinar cinturas, tirar celulites, eliminar as rugas e aumentar a estatura. E não apenas é exigência das publicações, mas também dos próprios fotografados! Porém, quando são feitos por quem não tem noção de luz e sombras, proporções, anatomia e texturas, os resultados tendem a ser catastróficos. Por outro lado, mesmo aqueles profissionais que possuem as habilidades técnicas para realizar o trabalho com perfeição, são muitas vezes levados ao exagero por imposição de quem os contrata, aqueles que assinam o cheque, que obviamente deveriam estar cuidando de outros assuntos e deixando o bom profissional decidir qual é o limite do verossímil, do ético e do estético.
A doença parece ter se tornado crônica, pois nos últimos meses uma enxurrada de absurdos tem sido publicados e criticados, desde a famosa “pele de plástico” das capas das revistas femininas, até o embelezamento vergonhoso de zonas de conflito pelo fotojornalismo, como recentemente aconteceu com as fotos do Irã.
Concluímos assim que recentemente o pêndulo do inaceitável atingiu seu ápice, e para voltar ao ponto de equilíbrio uma contra-proposta está se apresentando: o uso do “não-Photoshop”. Fotos sem maquiagem, sem processamento algum além daquele efetuado pela câmera, sem tratamento de nenhuma espécie. É uma tendência que toma corpo e tem se intensificado com o passar das últimas semanas, mas que tem encontrado forte resistência, pois apesar do entusiasmo dos fotógrafos e editores que a apóiam, o público não consegue mais enxergar beleza no que está próximo a realidade cotidiana. Pensa que a fotografia tem que ser alterada,  glamurizada.
Minha opinião é que a própria inércia (e a gravidade) vão trazer de volta o equilíbrio desejado ao pêndulo; fotos processadas que exibam o olhar do autor, ou fotos tratadas que tenham um fim comercial definido, vão ser menos falsas e mais próximas da realidade tangível, retomando a sensação de verdade que sempre acompanhou a fotografia mais direta, o “espelho com memória” que tanto nos fascina; e o Photoshop, bem utilizado, vai continuar dominando as operações de processamento/ajustes/retoques, absolutamente necessárias e inevitáveis quando se trata de fotografia digital.

Update 01:  Artigos relacionados: Fotoxópi, Polêmica, Phase One, Things Clear, Gente Normal.
Update 02: Mario Amaya também colocou o assunto em xeque na Photoshop Creative, veja o blog.
Update 03: Este artigo está diretamente relacionado as falhas do ensino fotográfico.

Episódio 12 - Split Toning no Lightroom 2.0

Episódio 12 - Split Toning no Lightroom 2.0

Assistir o Episódio 12 online – Split Toning no LR2
A ferramenta de Split Toning tem sua origem no laboratório químico e nas “viragens” de PB para cor; o Lightroom permite que se colorize independentemente as áreas de baixas-luzes e altas-luzes; permite também a criação de processos cruzados em fotos coloridas, e salvá-los como presets.
Outra útil operação possível é a correção de invasões de cor em áreas específicas da foto. Veja como é fácil!
Este episódio pode ser visto online ou baixado para seu computador ou celular.
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Para ver todos os episódios do podcast, clique aqui!

© Loretta Lux, Courtesy Yossi Milo Gallery, New York and Torch Gallery, Amsterdam

© Loretta Lux, Courtesy Yossi Milo Gallery, New York and Torch Gallery, Amsterdam

Há alguns poucos momentos na vida que se tornam rupturas, iluminações, upgrades sensoriais.
Hoje estou vivendo um deles.
Após ter me admirado por anos com o intrigante trabalho da misteriosa Loretta Lux, cheio de signos, carregado de nostalgias e estranhamento, tive a rara felicidade de me sentar na primeira fila para assistir a uma entrevista inédita da fotógrafa alemã, no auditório da Casa de Cultura, no Festival Internacional de Fotografia Paraty em Foco.
Cercada de reservas desde sua chegada, preferiu ficar fora da cidade, isolada; não se deixa fotografar, prefere calar-se, veste-se discretamente. Seu biotipo mignon, cabelos escuros, a antítese do estereótipo alemão, a transformam em transparente, invisível, despercebida, mesmo passeando pelas praças centrais da cidade de Paraty; a facilidade com que aceitou o convite para a entrevista no Brasil, avessa que é a falar sobre si mesma ou sobre seu trabalho, além de surpreendente, aumentou a já transbordante curiosidade sobre o que aconteceria de fato quando as perguntas do inteligente entrevistador Eduardo Muylaert se iniciassem no teatro lotadíssimo de fotógrafos.
E o momento chegou com um início bizarro e aparentemente enfadonho, já que com um calhamaço de papéis nas mãos e um inglês carregado, Loretta começa a descrever sua infância asséptica e desprovida de diversões em uma Dresden conhecida na Alemanha pré queda do muro como a “cidade dos esquecidos”, por não captar nem o sinal de televisão do lado ocidental. Nos conta como essa criança cinza, triste, teve a sorte de contar com avós pobres mas cultos, que nela despertaram o gosto pelos retratos clássicos, especialmente pela pintura maneirista da segunda metade do século XV europeu, o que vai ser fator determinante na estética da artista que viria a ser.
E pouco a pouco, envolvida pelo absoluto silêncio da platéia, a narrativa se mostra reveladora e fascinante.
Durante uma hora e meia, com uma cadência compassada e desprovida de sinais de emoção, a fotógrafa percorre um caminho que começa pessoal, explicando sua fuga da Alemanha oriental e sua formação em artes, continua profissional definindo sua opção pela fotografia como meio de expressão, já que a pintura é “complicada e bagunçada”, e segue por uma viagem magnífica através da história da arte daquele período final do renascimento. Tudo ilustrado com a projeção das obras dos artistas da época, principalmente os retratos de crianças, em contraponto a algumas de suas fotos mais recentes. A semelhança entre os trabalhos torna-se patente, incluindo as referências mais evidentes  como o simbolismo, as proporções menos convencionais, o ponto de vista baixo, o cuidado com as cores e seus significados psicológicos e estéticos.
Com a sequência da projeção de suas fotos mais conhecidas, segue-se uma análise cuidadosa de suas possíveis interpretações e  possibilidades, e logo torna-se clara a auto-referência, com alusões poéticas aos sonhos, aos desejos infantis de escapar para o mundo adulto, e ao paradoxo do universo adulto em sua constante busca pela volta a infância. Fala de sonhos, novamente de símbolos, de inocência; fala de técnica apoiada no tripé pintura/fotografia/digital; e da construção precisa e determinante de cores, posturas, gestos, figurinos, paisagens de fundo, na arquitetura milimetrada da imagem produzida; fala do tempo e do relacionamento com as crianças fotografadas, sempre com a postura ereta, com a voz firme e segura, com dignidade reservada.
A transparência da narração, a coerência do discurso frente as imagens, o embasamento psicológico, histórico, artístico e acadêmico, e a impossível disassociação de autor/obra, agora absolutamente evidente, tornam a minha experiência emocionante.
Loretta Lux acaba de mudar minha vida.

Monitor Eizo CG-211  |  foto da tela: ©2209 Clicio Barroso

Monitor Eizo CG-211 | foto da tela: ©2209 Clicio Barroso

É uma história que todos conhecemos; algum dispositivo eletrônico para de funcionar e a assistência técnica se recusa a atender sem um monte de burocracias, demora absurda, trabalho parado, irritação, prejuízo.
Não importa se “tem nota”, se “tem garantia”, se a garantia “é estendida”, o costumeiro é dor de cabeça e perda de tempo.
Mas… Não foi o que aconteceu comigo.
Tenho três monitores Eizo da linha CG (gráficos, específicos para fotografia e vídeo), que são considerados o que há de melhor em termos de tecnologia de displays. Dois deles estão em Recife, no Atelier de Impressão (ADI), um business de fine arts do qual sou um dos sócios. Pois bem, um deles parou de responder aos comando de brilho/contraste do menu; depois de muitas tentativas do pessoal do ADI, a solução foi abrir um chamado de assistência técnica para que a Eizo resolvesse o problema.
E aí, a surpresa!
Não houve abertura de chamado; não houve consultas à assistência técnica, não houve nenhum tipo de demora ou desculpa; ao ligar para o representante da marca no Brasil, o Sr. Paulo Castanho, a resposta foi imediata:
– “Não se preocupe, o monitor vai ser trocado imediatamente; onde entrego?”
Relutante, passei meu endereço. No dia seguinte o Sr. Paulo veio pessoalmente entregar um novo monitor, lacrado, na caixa.
Preocupado, avisei que o dispositivo que seria trocado não estava comigo, e novamente me surpreendi com a resposta:
– “Não há problema, me mande o outro monitor quando for possível.”
Pois bem, na semana seguinte fui para Recife levando o novo CG 211. Antes de abrir a caixa porém, testamos novamente o monitor que “apresentava defeito”, que para alívio de todos funcionou perfeitamente depois de um procedimento padrão nesses casos; era apenas uma questão de resetar o software interno, que havia sido erroneamente alterado por um espectrofotômetro mal comportado. Nem precisei ligar o monitor novo, que voltou para a Eizo na mesma caixa original, sem prejuízo para ninguém.
Uma história que, diferente do que estamos acostumados, teve um triplo final feliz, pois minha confiança na marca foi confirmada, os três monitores estão em perfeito funcionamento, e a Eizo não precisou fazer a troca.
Fico pensando nas telefônicas, nos computadores, nos celulares… Que maravilha se todas as companhias fossem tão profissionais quanto esta e entendessem o valor do cliente satisfeto, do marketing positivo e do boca a boca da web.
Fica aqui a minha recomendação, e aqueles que dizem que um Eizo “custa caro”, eu só posso responder:
Ser tratado decentemente não tem preço!
PS – Um Eizo realmente é menos caro do que as pessoas pensam. Não custa consultar o Sr. Paulo e perguntar pelas facilidades que ele pode oferecer.

Leica M9 - Com captura em DNG e Lightroom 2 incluído!

Leica M9 - Com captura em DNG e Lightroom 2 incluído!

Foi lançada oficialmente nesta quarta feira, dia 9 de setembro de 2009, a mais nova integrante da lendária família “M” de câmeras rangefinder da fábrica alemã; a Leica M9. Muitas são as novidades; 18 Mpx de resolução, sensor full-size 24x36mm, obturador super silencioso, ausência de filtro anti-moiré garantindo nitidez absoluta na captura, e ISO de 80 a 2500.
As novidades não param por aí; a câmera faz a captura Raw no formato DNG, 16 bit com ou sem compressão, e o aplicativo para processamento nativo incluído no pacote é o Adobe Photoshop Lightroom, acreditem ou não.
Depois de chocar o universo fotográfico com o lançamento da Leica S2, uma médio formato com sensor de 30x45mm de 38Mpx e preço de U$ 23 mil, e de encantar a todos com compacta Leica Digilux 4 (D-Lux 4), com 10Mpx e preço de U$ 800, a M9 completa a série de lançamentos  no formato mais tradicional da marca.
Preço?
Não perguntem. Ainda não há certeza alguma, apenas especulações… Que falam em €6.000 (seis mil euros)

M9 - Simples, limpa e poderosa

M9 - Simples, limpa e poderosa

UPDATE 01: Saiu também a Leica X1, compacta com sensor APS-C, specs bem interessantes: Leicarumors.com
UPDATE 02: Os preços da  M9  e da X1 também já estão disponíveis oficialmente:
Leica M9
: $6,995 msp ships September, will not need uv-ir, will use regular m8 accessories.
Leica X1: $1,995 msp ships January. The Leica X1 is AF, has VR, 12mp cmos sensor and available with optional viewfinder, ever ready case, grip etc.
UPDATE 03: O preço oficial de lista para a M9 foi enviado pelo Luis Marinho, representante Leica no Brasil: R$ 18.000,00.
É importante frisar que Marinho aceita encomendas antecipadas, e vários compradores já estão na fila.

E então, vamos comprar?

Off the wall   -   ©2009 lostart

Off the wall - ©2009 lostart

On the Wall   -   ©2009 lostart

On the wall - ©2009 lostart

Muito se tem falado de coletivos neste ano de 2009. Garapa, Cia de Foto, Pandora, são alguns dos nomes que logo nos surgem como exemplos típicos de fotografia colaborativa. Mas eu tenho como certo que duplas como a do casal Louise Chin e Ignácio Aronovich, que formam o LostArt, são também coletivos pertencentes ao mesmo conceito.
Fotografam juntos, editam juntos, assinam como LostArt.
O caso é que nem sempre assinam juntos; em vários dos ensaios e séries do site encontramos o crédito separado, assim:

photos © ignacio aronovich / LOST ART – photos © louise chin / LOST ART

Por que? Qual o critério? O que eles pensam a respeito do Creative Commons? Pois bem, os mistérios que cercam o casal “low profile” são proporcionais ao seu sucesso, principalmente internacional.
As famosas séries Lost in Slovenia, Paraíba Dreams, e a mais recente (fotos acima) La Danse du Chaos nos dão uma idéia da criatividade, energia e qualidade de seu trabalho. (Veja um breve artigo sobre esta série clicando aqui).

Aí começa o meu problema! Fui convidado pela organização do Paraty em Foco a entrevistar os dois durante a semana do festival. O problema? Somos amigos! O perigo está em se transformar a entrevista em uma conversa de comadres.
A solução porém é simples; vamos TODOS perguntar o queremos saber do casal LostArt!
Será uma entrevista colaborativa de fato, com o espírito do festival e de acordo com o modo que Ig e Louise escolheram para viver e fotografar, compartilhando tudo o que podem.
Como fazer? Simples!
Coloque a sua pergunta nos comentários abaixo,  ou a envie para clicio@clicio.com.br. As perguntas mais frequentes, as mais curiosas e as mais engraçadas vão ser usadas durante a entrevista no Paraty em Foco!
Em tempo; em seu (deles) site, há a possibilidade de você mostrar o seu trabalho, em uma área apropriadamente chamada de “Espaço Aberto”. Não custa tentar, mas a curadoria é rigorosa…

Episodio 11 - Integrando o LR com o CS4

Episodio 11 - Integrando o LR com o CS4

Assistir o Episódio 11 online – Integração LR2/CS4
Para carregar diversos arquivos como layers, fazer panoramas, criar HDRs e converter imagens para Smart Objects, você não precisa fechar o Lightroom, pois a integração com o Photoshop CS4 permite que os comandos sejam disparados de dentro do Lightroom. Porém, para automatizar procedimentos mais sofisticados com actions, um droplet tem que ser chamado no momento de exportar do Lightroom; veja como é fácil!
Este episódio pode ser visto online ou baixado para seu computador ou celular.
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Para ver todos os episódios do podcast, clique aqui!